Deveríamos tratar com igual reverência que temos pelo panteão da cultura helênica, as lendas e tradições do nosso rico folclore.
O problema é que nossas lendas não têm unidade, não há, por exemplo, um elo entre elas, como ocorre na mitologia grega.
Eles não se reúnem, não se conhecem, não brigam ou namoram entre si. Salvo raras exceções.
É cada um por si.
Custava o Curupira unir-se ao Boi Tatá para juntos defender nossas florestas? Mas não, cada um o faz isolado na sua região.
Mula Sem Cabeça e Lobisomem formariam uma dupla infernal (desculpem o trocadilho). Muito embora Lobisomem seja uma lenda mundial.
Unidos, pela defesa de nossas águas: Boto Cor de Rosa, Iara e Vitória Régia.
O Negrinho do Pastoreio e o Saci Pererê, até por afinidades étnicas, também se dariam bem trabalhando em conjunto.
Gosto das lendas regionais, aquelas que só região bem específica conhece. Cabeça de Cuia no Piauí, o Chibamba em Minas Gerais e Cobra Norato no Amazonas.
Claro que nosso folclore não se limita apenas aos seres sobrenaturais, mas a um conjunto de lendas, canções, simpatias, ritos, enfim, um complexo cultural que, reafirmo, me apresenta com muito mais interesse que a mitologia greco-latina.
Ensinando nas escolas de maneira muito mais incisiva a cultura popular.
E que não apenas na semana de 22 de agosto, mas em várias épocas do ano.
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