sábado, 6 de abril de 2013

Com o lápis na mão.

Tive um professor no cursinho cujo apelido era Pardal.

Curioso como o apelido remetia ao personagem da Disney e o que me fez a imaginar que ele daria aula de alguma disciplina de exatas, haja visto que o Prof. Pardal original é um cientista.

Mas este ensinava História do Brasil.

Seguia a linha de professor divertido, que pra tudo tinha alguma piadinha, historinha ou uma metáfora para ilustrar suas explicações.

E o mais impressionante é que ao final da aula, aquele monte de zoação fazia sentido e a gente entendia a matéria.

Bastava a gente levar a sério aquele humor todo, por mais paradoxal que possa parecer.

Eu anotava tudo. O ele escrevia, eu anotava a caneta; e suas explicações e, pasmem, até suas piadas e casos engraçados falados ao longo da aula, que eu anotava a lápis.

Esta metodologia me ajudou muito pois eu chegava em casa e passava a limpo e outro caderno.

Outra curiosidade deste professor foi que pela 1ª vez vi um professor sendo crítico ao material e à metodologia que o cursinho vinha utilizando.

Ao tecer suas críticas quanto a vários aspectos que vinham acontecendo naquela famosa escola, ele próprio nos disse em sala de aula que não deveria ficar lá além daquele ano.

Para uns, tal atitude pode ser vista como antiética; para outros um desabafo; e há que possa entender como excesso de sinceridade.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Casagrande: um exemplo de vida.

Pela 3ª vez em mais de 5 anos de Blog (contando o antigo, www.orandesrocha.zip.net), o Blogueiro divulga uma entrevista de Casagrande.

A exemplo dos outros dois vídeos anteriormente postados (o 1° no Altas Horas e o 2° no Domingão do Faustão), a entrevista mais recente foi na rádio CBN, num bate papo com Juca Kfouri e o blogueiro tem a mesma recomendação: É vídeo para ser assistido nas escolas.

A maneira como este ídolo do esporte nacional se envolveu e superou o problema das drogas, e a maneira sem hipocrisia com que ele trata do assunto (agora mais que nunca em um livro recém publicado) serve de exemplo para os jovens deste país.

Seja naqueles que desejam superar o problema e veem nele um exemplo, seja naqueles que nunca experimentaram e, após depoimentos assim, certamente pensarão duas vezes antes de fazê-lo.

Eu que já era fã dele mesmo antes de me entender por gente, sou muito mais a cada entrevista destas.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Fica dito pelo não dito?

Enquanto nos preocupamos (e com muita razão) sobre a nomeação do Dep. Pastor Marco Feliciano para a Presidência do Conselho dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara, muitas outras questões tiveram o foco desviado:

01 - As milhares de assinaturas pedindo a renúncia de Renan Calheiros da Presidência do Senado.

02 - José Genoíno (condenado pelo STF) membro da Comissão de Constituição e Justiça.

03 - José Maria Marin, Presidente da CBF e do COL, envolto em denúncias de corrupção na entidade e na morte do jornalista Vladmir Herzog, nos tempos em que Marin era Deputado atuante na ditadura brasileira.

E outras questões que, ao que parece, correm o risco de ficar o "dito pelo não dito", como as matérias do portal Terra que o blogueiro "printou" e reproduz abaixo.





quarta-feira, 3 de abril de 2013

Crimes contra a honra.

Calúnia (art. 138 CP): Imputação falsa a alguém, de um fato qualificado como crime.

José Maria Marin, Presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa 2014 roubou uma medalha.

Difamação (art. 139 CP): Atribuição de fato ofensivo à reputação de outrem.

Ex: José Maria Marin, Presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa 2014 aproveitou-se da distração dos atletas para surrupiar uma medalha.

Injúria (art. 140 CP): Atribuir a outrem qualidade negativa, ofensiva à sua dignidade.

Ex: José Maria Marin, Presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa 2014 é ladrão.

Resta saber se com base nas imagens do vídeo abaixo, que voltaram à berlinda com a convocação do jogador que ficou sem a medalha que Marin "pegou emprestado", tais artigos podem ser aplicados a quem referir-se ao distinto cidadão.



terça-feira, 2 de abril de 2013

Um tema sempre polêmico e sempre atual.

Longe de querer incitar ânimos, mas o texto do Dr Dráuzio Varella (que dispensa apresentações) de 1 ano atrás continua atual na mesma proporção que continua polêmico.


POR DRAUZIO VARELLA*
Intolerância religiosa

O fervor religioso é uma arma assustadora, disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso.

SOU ATEU e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos.

A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres.

Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.

Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais. Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos a interferências mágicas em assuntos terrenos. Perseguidos e assassinados no passado, para eles a vida eterna não faz sentido.

Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar.

Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias.

Que sentido tem para um protestante a reverência que o hindu faz diante da estátua de uma vaca dourada? Ou a oração do muçulmano voltado para Meca? Ou o espírita que afirma ser a reencarnação de Alexandre, o Grande? Para hindus, muçulmanos e espíritas esse cristão não seria ateu?

Na realidade, a religião do próximo não passa de um amontoado de falsidades e superstições. Não é o que pensa o evangélico na encruzilhada quando vê as velas e o galo preto? Ou o judeu quando encontra um católico ajoelhado aos pés da virgem imaculada que teria dado à luz ao filho do Senhor? Ou o politeísta ao ouvir que não há milhares, mas um único Deus?

Quantas tragédias foram desencadeadas pela intolerância dos que não admitem princípios religiosos diferentes dos seus? Quantos acusados de hereges ou infiéis perderam a vida?

O ateu desperta a ira dos fanáticos, porque aceitá-lo como ser pensante obriga-os a questionar suas próprias convicções. Não é outra a razão que os fez apropriar-se indevidamente das melhores qualidades humanas e atribuir as demais às tentações do Diabo. Generosidade, solidariedade, compaixão e amor ao próximo constituem reserva de mercado dos tementes a Deus, embora em nome Dele sejam cometidas as piores atrocidades.

Os pastores milagreiros da TV que tomam dinheiro dos pobres são tolerados porque o fazem em nome de Cristo. O menino que explode com a bomba no supermercado desperta admiração entre seus pares porque obedeceria aos desígnios do Profeta. Fossem ateus, seriam considerados mensageiros de Satanás.

Ajudamos um estranho caído na rua, damos gorjetas em restaurantes aos quais nunca voltaremos e fazemos doações para crianças desconhecidas, não para agradar a Deus, mas porque cooperação mútua e altruísmo recíproco fazem parte do repertório comportamental não apenas do homem, mas de gorilas, hienas, leoas, formigas e muitos outros, como demonstraram os etologistas.

O fervor religioso é uma arma assustadora, sempre disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso. Em vez de unir, ele divide a sociedade -quando não semeia o ódio que leva às perseguições e aos massacres.

Para o crente, os ateus são desprezíveis, desprovidos de princípios morais, materialistas, incapazes de um gesto de compaixão, preconceito que explica por que tantos fingem crer no que julgam absurdo.

Fui educado para respeitar as crenças de todos, por mais bizarras que a mim pareçam. Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta.

Quanto aos religiosos, leitor, não os considero iluminados nem crédulos, superiores ou inferiores, os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam.

*Publicado na “Folha de S.Pauo” em 21/04/2012 e excepcionalmente aqui reproduzido.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

1° de abril.

Neste 1° de abril, segue abaixo as minhas "verdades":

1. São Paulo é melhor que o Corinthians.

2. Aliás, Corinthians não é o melhor time de futebol do mundo.

3. Nem da América.

4. E por falar em melhor: Neymar é melhor que Messi.

5. E Luís Fabiano melhor que Ronaldo.

6. Amo a Monsanto.

7. Odeio ser professor.

8. Adoro funk.

9. Admiro Lula, e os "Zés", Dirceu e Genoíno; além do cidadão ipuanense (título merecido e motivo de orgulho para os ipuanenses), João Paulo Cunha.

10. Este Blog acaba este ano.

Feliz 1° de Abril!

domingo, 31 de março de 2013

Nos palanques da vida.

Esta é uma história já contada no antigo Blog.

Mas que em tempos de páscoa, não custa ser recontada.

Com algumas mudanças, evidentemente.

***

Existe uma certa tradição nas escolas municipais de presentear os alunos com chocolate, na época da páscoa.

Uma maneira de agradar o alunado e ainda, celebrar a efeméride pascoal.

Na minha época de Diretor do Depto. de Educação, eram mais de 2.200 ovos distribuídos aos alunos nessa época do ano.

E em  um ano, resolvi inovar.

Preocupado com a saúde dos guris e gurias, optei por comprar ovos de chocolate caseiros.

Eram chocolates mais ricos em leite, portanto mais saudáveis.

O peso dos ovos era o mesmo, mas como eram mais grossos, o tamanho era menor.

E tome reclamação na orelha do Secretário...

Reclamaram que o ovo era pequeno, que era uma miséria, que o embrulho não era bonito etc tal...

Sem o menor remorso, no ano seguinte mandei comprar os ovos de gordura hidrogenada, finos como casquinha de sorvete, com seus embrulhos coloridos, mais pesados (e quiçá mais nutritivos) que o próprio ovo de chocolate.

E todos foram felizes para sempre.

sábado, 30 de março de 2013

Com o lápis na mão.

Comecei a gostar de literatura tarde, no cursinho.

Tudo graças ao Prof. Fernandão (como ele mesmo se denominava e a gente por extensão).

De um estilo todo próprio, Fernandão era quase lenda na escola em que lecionou por quase duas décadas.

O estilo despojado ajudava a gente não apenas a compreender a Literatura, mas até a começar a gostar desta disciplina que nem sempre é a preferida entre os alunos.

A partir de então ler quase todos os principais clássicos da literatura brasileira foi muito mais fácil para mim.

Tanto li, estudei e pesquisei, que acabei, por coincidência(?), me transformando em professor de Literatura anos mais tarde.

Tempos atrás deparei com um vídeo no youtube de uma aula dele, filmado clandestinamente por um aluno.

Fiquei assistindo à aula quando sou indagado por uma pessoa da família que, estranhando não ser música no computador, mas explicações sobre Literatura, indagou sobre o que eu fazia.

- "Vendo o mestre trabalhando", respondi.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Hoje tem teatro em Ipuã.

Pode uma história, já contada e recontada ao longo de quase 2.000 anos, de diversas maneiras, por diversos artistas, atrair uma multidão?

Pode uma história, cujo final todos nós conhecemos de cor, despertar as mais diversas emoções nos expectadores?

Pode um grupo de artistas amadores promover um espetáculo que mobiliza uma enorme parcela da sociedade ipuanense?

Pode estar nascendo uma tradição em nossa cidade?

A resposta a todas estas perguntas, e outras tantas que ficaram por fazer, é que parece que pode sim.

Hoje, às 19:30 em ponto, no Parque de Exposições da cidade.

Imperdível!

Sexta Feira da Paixão.

Hoje é sexta feira santa.

Principal data do calendário cristão.

Dia de rememorar a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Independente de seu credo religioso (ou da falta dele).

Dia de respeitar as tradições seculares que certamente moldaram nossas infâncias. Mesmo que na fase adulta nossas crenças divirjam daquelas "impostas" pelos pais na fase infantil, hoje é dia de deixar de lado convicções para simplesmente respeitar.

É o que faz, por exemplo, este humilde blogueiro.

Que hoje celebra não apenas a data religiosa, mas os quase dois milênios de um fato histórico que alterou o rumo da História ocidental.

Se a figura religiosa é, para alguns, objeto de questionamentos (como por exemplos para ateus, agnósticos e religiões não cristãs), a figura histórica, política, social, e por que não fizer, filosófica, de Jesus Cristo é, e para sempre será, objeto de adoração.

Seu exemplo, suas palavras, sua revolução silenciosa, as conexões de seu discurso com o discurso de filósofos como Platão e principalmente, sua história de vida de abnegação e aceitação do suplício, usado como instrumento de transmissão de tua mensagem, tudo isso não pode ser simplesmente negado.

Repito, ainda que seu credo (ou falta dele) seja divergente.