segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Então tá falado. [Há 10 anos].

Há 10 anos atrás o Blogueiro era corrigido pela assessoria do grupo "Barra da Saia".

O grupo se apresentaria na cidade nas Expuã daquele ano de 2009, quando a festa ainda existia e havia quem a chamasse de Quermesse. E o Blogueiro, ao comentar as atrações da grade de shows, disse que a banda era de Forró.

A ignorância do Blogueiro foi corrigida em um simpático comentário na postagem do Blog.

Que segue abaixo:


Então tá falado.

Eis que o blogueiro recebe, via blog, o seguinte recado:

Li em seu blog sobre o show e sobre a BARRA DA SAIA, dizendo que é forró... na verdade a banda é de sertanejo e mistura muito a música caipira raiz, com um pouco do country... Estamos comemorando 10 anos de banda lançando um DVD em prol do Hospital de Câncer de Barretos. Não temos nada contra o forró, mas ñ é nosso estilo, somos caipiras mesmo e te espero em nosso show, abs Adriana PS venha conhecer nosso site e veja alguns vídeos
Adriana Sanchez | barradasaia@barradasaia.com.br | www.barradasaia.com.br | SP |  23/08/2009 21:19

Nota do Blogueiro:
Confesso que, de fato, nunca tinha antes ouvido falar na banda e ao pesquisar o site, pouca coisa me aprofundei para saber sobre ela.

O nome "Barra da Saia" nos remete à forró, e como é tradição nesta cidade diversificar os gêneros musicais que apresentam na Expuã, imaginei ser, as 4 belas garotas, integrantes de uma banda de forró.

Fica portanto esclarecido o gênero musical e aguardamos então, uma boa demonstração de música Sertaneja Caipira e seu primo rico, o Country.

PS: E parabéns pela atitude de angariar fundos ao Hospital Pio XII de Barretos.

domingo, 1 de setembro de 2019

Blogueiro visita marco histórico de SP.

Há 119 anos atrás, 5 amigos, no bairro operário do Bom Retiro em São Paulo (à época do tamanho de Franca/SP atualmente) resolveram fundar um novo time de futebol para jogar na várzea paulistana.

Os 5 amigos (Joaquim Ambrósio, Antonio Pereira, Raphael Perrone, Anselmo Correa e Carlos Silva) reuniram-se à noite, na Rua José Paulino, esquina com a Cônego Martins, à luz de um lampião, e ali iniciaram as tratativas de angariar recursos e mobilizar pessoas para a criação do novo time.

O nome foi inspirado e um clube inglês que excursionara no Brasil, "Corinthian Team" promovendo o esporte bretão, que por aqui começava a ganhar adeptos.

Acrescentaram o "s" e ficou Sport Clube Corinthians Paulista.

Mal imaginavam os 5 amigos que esse time de várzea se tornaria a maior paixão futebolística do planeta.

Para homenagear o ponto exato do nascimento dessa paixão, há um pequeno obelisco no local, e a réplica de um lampião.

Quase 119 anos depois, com as bênçãos dos 5 amigos, o Blogueiro visitou o local, e deixou registrado.



sábado, 31 de agosto de 2019

O sumiço do Belchior. [Há 10 anos].

10 anos atrás o sumiço do Belchior movimentava o país.

Pena que 10 anos depois não temos mais o artista entre nós.


O sumiço do Belchior.


Fiquei feliz com a repercussão em torno do desaparecimento do cantor Belchior, dada pela mídia na última semana.

Destaque no Fantástico, jornais do país e Exterior, o cantor alcançou uma exposição na mídia maior que qualquer disco que pudesse lançar.

Suspeitas de sequestro, dívidas, retiro, tudo foi especulado sobre o rapaz latinoamericano. Suspeitas terminadas graças ao empenho do Fantástico, que ontem veiculou a reportagem da descoberta de seu paradeiro, pela repórter Sônia Bridi (acostumada a descobrir o paradeiro de pessoas como PC Farias e Fernando Collor, quando estes sumiram do país com o nosso dinheiro, teve agora uma missão prazeirosa: encontrar o Belchior).

Que como bom latinoamericano, está no Uruguai. Preparando novos planos para retomar à vida de shows.

- "Não achei que tamanha repercussão fosse realmente comigo"!

Disse o cantor, tão desacostumado à luz dos holofotes nos últimos anos, em que sua carreira tende a ser dirigida a um público fiel, pouco crescente, que lotam seus shows querendo ver mais do mesmo, uma vez que seu repertório recente pouco interessa aos fãs, mas sim suas velhas e inesquecíveis canções.

Fiquei feliz com seu sumiço!

E muito!!!

Fiquei feliz ao ver que Belchior ainda faz falta, que a grande mídia ainda dedica espaço a cantores como ele, mesmo que seja pra especular sobre seu desaparecimento, afinal todos procuravam por ele.

Feliz de ver que seu público sente sua falta, que seus shows, sempre com as mesmas canções, ainda será assistidos por todos nós, seus fãs, quantas vezes tivermos oportunidade.

Seja bem vindo Belchior, ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

Do Brasil??? Da Mídia???

N0ada disso, das nossas atenções...

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Música caipira - O médio sertanejo. [Há 10 anos].

5º Capítulo sobre a História da Música Sertaneja.

Nesse capítulo eu apresentava pela 1ª vez uma classificação criada por mim: o Médio Sertanejo.

Vai que um dia essa nomenclatura se legitima.

Curiosidade: Eu não aceitava o termo "Sertanejo Universitário", apesar de gostar de muitos artistas que assim se denominavam, hoje consigo teorizar sobre ele e aceitá-lo.


Música caipira - O médio sertanejo.

Procure médio sertanejo em sites, livros, teses e não encontrará.

Trata-se de uma teoria muito particular deste blogueiro.

Explico!

Sertanejo raiz ou caipira, é aquele gênero da origem da música sertaneja: marcado pelos temas do campo, a dor da perda da mulher amada, o abandono do homem do campo, etc...

Ritmo marcado pelo uso da viola (às vezes violão) sem amplificações ou instrumentos elétricos de qualquer natureza ou de percussão. Usando como instrumento, arranjos simples e a destreza do violeiro.

O pop sertanejo, de tantas duplas famosas que conhecemos e que se apresentam em festas de peão país afora, é aquele gênero mais romântico, embora vez em sempre arrisca num estilo mais dançante, tentando remontar aos antigos "arrasta pés", mas sempre numa harmonia mais elaborada, com arranjos sofisticados, instrumentos plugados e até orquestras.

A temática é basicamente o amor, geralmente declarações apaixonadas sem contudo deixar claro se a amada está ou não amando-o.

Existe um gênero intermediário, onde os instrumentos elétricos começam a aparecer, porém a temática é basicamente a dor de amor. A mulher que o abandonou, a mulher que o castiga, a mulher que espera de tudo, ainda é a amada dos seus sonhos.

Claro que não só, mas basicamente, músicas de conflitos amorosos, que talvez expliquem o rótulo injusto da música sertaneja como música de corno.

Este gênero não é raiz, mas também não é pop. É um meio termo: médio sertanejo.
Duplas desta "fase" da música sertaneja?

Vê se você conhece algumas: João Mineiro e Marciano, Matogrosso e Mathias, Felipe e Falcão, Gilberto e Gilmar, Milionário e José Rico, Duduca e Dalvan, Chitãozinho e Xororó (em início de carreira), e tantos outros.

Tá bom ou quer mais?

Eis que aparece um novo gênero, chamado "Sertanejo Universitário", que este blogueiro condena veementemente, por ser um rótulo comercial, que nada difere seus adeptos de demais duplas do pop sertanejo.

O que seria "Sertanejo Universitário"? Ninguém até hoje me deu explicações razoáveis.
Mas esta teoria fica para uma próxima ocasião.



Próximo Domingo: Tem mulher na música caipira.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Por que a nossa, se chama Lua? [Há 10 anos].

Há 10 anos, tínhamos "duas luas"no céu.

E eu, implicado com o nome da nossa lua.

Aliás, até hoje.


Por que a nossa, se chama Lua?

Presenciaremos um fenômeno não muito frequente: o de ver "duas" luas no céu.
Não se trata de um segundo satélite, será o Planeta Marte que estará em seu ponto mais próximo da Terra e por isso terá uma maior dimensão na nossa perspectiva.

Nada que permita ao planeta vermelho ficar do tamanho da Lua, evidente, mas trata-se de um fenômeno astrológico interessante.
Fenômeno que me leva a seguinte questão: Por que só a nossa Lua se chama Lua?

Explico...

Lua é na verdade um satélite da Terra, que assim como outros planetas, tem seu satélite próprio, mas ao contrário da maioria, temos apenas um; a Lua.

O próprio planeta Marte tem duas luas, Deimos e Fobus.

Júpter tem 4: Io, Europa, Ganímedes e Calisto.

Saturno: Tétis, Dione, Encélado, Titã, Hipérion,... só pra falar das mais conhecidas, já que são inúmeras.

Até Plutão, que nem mais planeta é tem uma lua com nome próprio, Caronte.

Enquanto nós, o Planeta Azul, nos limitamos a ter um Satélite chamado Lua, coisa mais sem originalidade.

Nada a ver esse texto né? tudo bem, nada a ver Marte ser lua por um dia.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Música Caipira - Brasil, um país de todos (todos caipiras). [Há 10 anos].

O 4ª capítulo da saga sobre a história da música sertaneja era publicado há exatos 10 anos.


Música Caipira - Brasil, um país de todos (todos caipiras).

Quando o então Presidente, Fernando Henrique Cardoso, disse que o Brasil era um "País Caipira", muita gente chiou.

Eu não.

Somos caipiras sim, muito mais que pensamos, e talvez de um modo diferente daquele a que o ex Presidente se referiu na ocasião.

Aliás, um antecessor do próprio FH, o JK, de tantas obras modernizantes necessárias ao país, recebeu em seu gabinete a dupla Alvarenga e Ranchinho, sucesso na época com músicas em tom de sátira com crítica política.

A empatia entre eles foi tamanha, que a dupla pouparia de suas músicas debochadas, o Presidente ao longo da carreira.

Mas antes mesmo de JK, outra personalidade "moderna" aderia ao caipira: Mário de Andrade.

Um dos papas do Modernismo Brasileiro, da 1ª Geração do movimento, que tanto atacou a "arte culta", era um profundo apreciador da cultura caipira, sendo inclusive autor de letras de músicas do gênero. Estudioso do folclore brasileiro, era quase inevitável que Mário derivasse para o gênero caipira.

Contemporâneo de Mário de Andrade, Villa Lobos, nosso maior compositor clássico, relembraria seus tempos de infância no interior do Estado de SP, compondo "Trenzinho Caipira", uma de suas peças mais conhecidas no mundo todo. Nascia aí um flerte maravilhoso entre o erudito e o caipira, que décadas mais tarde inspiraria o surgimento de "Orquestras de Viola Caipira" em várias cidades do país.

Na MPB, não foram raros os "poetas" que sucumbiram á força da música caipira.
Dentre os mais famosos - e talvez melhores -, Chico Buarque (sempre ele) e Mílton Nascimento (caipira de MG), uniram-se para compor "Cio da Terra", canção que mais tarde seria imortalizada no universo caipira pelas vozes terçadas de Pena Branca e Xavantinho.

Além, é claro de "Rancho Fundo", música sertaneja, composta por Ary Barroso e Lamartine Babo; dois dos mais legítimos representantes da MPB.

Mais recentemente, atendendo a um pedido de sua mãe, Dona Canô (a quem ninguém recusa um pedido), os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia regravaram "Tristeza do Jeca", clássico da música caipira e uma verdadeira elegia ao homem sertanejo.

Ainda não se acha caipira suficiente?

Então vejamos...

Nos últimos 10 anos, a Rede Globo de televisão produziu em torno de 13 programas (novelas, minisséries, ...) com temática rural ou com núcleos de personagens do campo. Entre elas, a regravação da novela "Paraíso", sucesso no começo dos anos 80, que veio neste ano para alavancar a audiência da emissora no horário das 18:00.

O poder de persuasão da cultura caipira é tanta, que simplesmente todos, repito, TODOS, os artistas do pop sertanejo, estes que surgem a todo ano erroneamente denominados "Sertanejo Universitário", regravaram músicas caipira, ainda que com nova roupagem.

Regravaram de tudo: Tião Carreiro e Pardinho, Trio Parada Dura, Chitãozinho e Xororó (na sua fase caipira), corroborando que a música caipira tem, ainda hoje em tempos de internet e Ipod, o mesmo poder de penetração na mídia e no gosto popular que nos anos de seu surgimento.

Só no Rock que ainda não consegui encontrar a influência da música caipira, a não ser num exemplo bem caseiro, porém não menos digno de nota por parte deste blogueiro estudioso da música sertaneja, que foi a nova roupagem que a banda ipuanense Tiu Peccus deu na música "Galopeira", quando da montagem da banda, há um ano e meio atrás.

Uma experiência interessante que, quem sabe, será seguida por outras bandas num futuro próximo, que a julgar pelo o que se vê, será bem próximo.


Próximo Domingo: Surge o "médio sertanejo" (?)

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Há 20 anos. [Há 10 anos].

Há 30 anos atrás, morria Raul Seixas.

Há 10, eu comentava o 20º ano de sua morte.

Toca Raul!!!!!!!!!!!!!!


Há 20 anos.


Há 20 anos, o país perdia seu último profeta: Raul Seixas.

O baiano que fundiu Rock ao Baião passou dessa pra outra, deixando uma discografia fantástica.

Poucos cantores no país conseguiram uma legião de fãs, fiéis mesmo após sua morte.
Este blog, relembra Raulzito por meio de um trecho da música dele que o blogueiro mais gosta: "Ouro de Tolo".

É profética e expressionista, vale a pena relembrar:

"Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...
Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador..."

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Ipuã em situação de risco.

Pelo menos é o que aponta o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) em análise feita em 644 municípios paulista, onde 86% destes, "559 administrações - se encontram em situação de comprometimento das gestões fiscal e orçamentária".

O TCESP analisa as contas de Prefeituras e Câmaras e, encontrando alguma irregularidade, envia alertas apontando o que está errado, devendo ser providenciado sua correção.

A plataforma usada para que a população acompanhe os alertas de seus municípios chama-se VISOR: Visão Social de Relatórios de Alerta. Uma plataforma gráfica que tem o objetivo de facilitar o entendimento desses alertas emitidos pelo TCESP e classificar as prefeituras de acordo com a quantidade e a diversidade de alertas recebidos.

Caso queira saber como está a situação de Ipuã em relação aos alertas da Tribunal de Contas, basta clicar aqui e pesquisar a cidade e o ano.

O Tribunal de Contas classifica as cidades pelas cores Verde - Amarelo - Laranja - Vermelho, sendo verde a classificação usada pelos municípios em melhor situação e vermelho, os em pior situação.

Desde 2008, quando essa classificação começou a ser usada, Ipuã esteve

Verde em 3 ocasiões: 2009, 2014, 2015.

Laranja em 4: 2008, 2012, 2013, 2018

Amarelo em 1: 2016.

E no vermelho em 4: 2010, 2011, 2017, 2019 (nos primeiro semestre).

Passados 8 meses de 2019, a situação de Ipuã está no "vermelho".

Curioso é que não sabemos de medidas feitas para melhorar a situação do município.

Aliás, com a Administração Municipal aumentando despesas com funcionários do ano passado pra cá, penso que não devem estar se importando muito.

Restam ainda mais de 4 meses para a Prefeitura tentar equacionar essa situação.

Torço para que consiga.


Atualizado às 17:30h.

Mais curioso ainda é que a plataforma Visor dá o número de alertas que foram feitos às Administrações ano a ano, e Ipuã desde 2008 ficou assim:

2008: 17 alertas (de 5 tipos diferentes).
2009: 7 alertas (de 3 tipos diferentes).
2010: 14 alertas (de 4 tipos diferentes).
2011: 12 alertas (de 5 tipos diferentes).
2012: 22 alertas (de 7 tipos diferentes).
2013: 11 alertas (de 4 tipos diferentes).
2014: 8 alertas (de 2 tipos diferentes).
2015: 8 alertas (de 2 tipos diferentes).
2016: 24 alertas (de 5 tipos diferentes).
2017: 19 alertas (de 3 tipos diferentes).
2018: 9 alertas (de 3 tipos diferentes).
2019: 8 alertas (de 3 tipos diferentes).

Fim da novela. [Há 10 anos].

Criticar o PT hoje é fácil, com o partido em popularidade baixa.

Eu já o fazia há 10 anos, quando o fisiologismo tomava conta do partido que um dia simpatizei e, à época, já estava às voltas em apoiar Sarney no bom e velho toma lá dá cá.

E em 2009 eu já elogiava Maria Silva, em quem votaria nas 3 eleições presidenciais seguintes. Apresentava Ciro Gomes como uma opção e criticava a polarização PTxPSDB e o piano Dilma, que seria eleita no ano seguinte.

Coerência é tudo!


Fim da novela.

Finalmente acabou a novela Sarney.

Com apoio da Bancada do PT no Senado, na Comissão de Ética (a mando do Presidente Lula), arquivaram-se todas as representações e denúncias feitas contra o Presidente do Senado José Sarney.

Nada justifica a iniciativa de políticos como Mercadante e Lula, pessoas que um dia voltei e hoje me arrependo profundamente, aliás, se soubesse que tais cidadãos um dia se uniriam a pessoas como Renan Calheiros, Collor, Sarney e família, e outros da mesma matilha, NUNCA teria depositado neles meu valioso voto.

E assim continuará o Senado: nas mãos de políticos desonestos que valem-se da apatia do eleitorado e da impunidade para perpetuar no poder.

Que nos sirva de lição, nas próximas eleições, quando Exmo Sr Presidente nos empurrará um piano chamado Dilma achando que vamos cair nessa conversa mais uma vez.

Boas surpresas tem aparecido no cenário político, Marina Silva será uma delas, para aqueles que queiram sair da mesmice PT x PSDB, pode valer a pena arriscar (?).

E sempre tem o Ciro Gomes, para a esquerda mais pragmática.

Verdade é que depois de roubar patrimônio público para montar sua Fundação, depois de privatizar o senado em benefício próprio e de ganhar apartamento de empreiteira, José Sarney continua mandar no país.

Para saber mais sobre a crise do Senado e a vergonha a que o PT está passando em seus eleitores, entre no site da rádio CBN, procure o link da jornalista da Lúcia Hippolito. Vale a pena ouvir seus comentários.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Música Caipira - Patriarcas*. [Há 10 anos].

O 3º capítulo da saga sobre música sertaneja ia ao ar há 10 anos atrás.

Curiosidade: Inezita Barroso não foi vizinha de Mário de Andrade, mas uma tia dela, que ela visitava e sempre se encontrava com o escritor Modernista.


Música Caipira - Patriarcas*.


Você certamente não conhecerá a marioria das pessoas citadas.

Porém do que você vai ler hoje, uma única coisa deve ficar: A Música Sertaneja só existe, graças a estes artistas e tantos outros como eles.

João Pacífico: Neto de escravos, filho de escrava alforriada, chegou a São Paulo no exato dia que explodia a Revolução de 24. Nem tiros esmoreceu a vontade deste jovem mulato de Cordeirópolis vencer na cidade grande.

Criador da chamada "Toada-Histórica", aquelas músicas que começam com alguns versos declamados, antecedendo a canção e a história a ser contada. Por exemplo, que não conhece os versos que abrem "Cabocla Tereza" ("Lá, no arto da montanha numa casa bem estranha toda feita de sapê...")? pois é, essa música é de sua autoria, em parceria com Raul Torres, com que ainda comporia "Chico Mulato".

Não cantava, apenas compunha, e a isso se credita o fato de não ter tido uma melhor estabilidade financeira. Seus intérpretes mais corriqueiros foram Raul Torres e Florêncio.

Raul Torres: Figura destoante do típico caipira, Raul era o típico "caipira chique": terno branco, chapéu panamá, lenço de seda no pescoço, anel de diamante... De infância pobre em Botucatu, muda-se para São Paulo onde foi carroceiro e mais tarde trabalha na Ferrovia Sorocabana até se aposentar (o que lhe garantiu uma boa estabilidade e patrimônio).

Cantou em circos e cabarés até chegar nas rádios da Capital (foi dos pioneiros na Rádio Record), e foi no rádio que ele divulgou com maestria a música caipira.

Fez dupla com Florêncio (violeiro que deixou de herança para Tião Carreiro, a Lendária Viola Vermelha).

Já conhecido no meio, cantava em Cassinos Cariocas, para o reconhecimento e admiração de artistas como Noel Rosa, Lamartine Babo, Francisco Alves e Sílvio Caldas (os patriarcas da MPB).

Autor de "Cabocla Tereza", "Colcha de retalhos", "Boiada Cuiabana", entre outras.

Cornélio Pires: Autor e produtor do 1° disco sertanejo raiz, pago do próprio bolso pois as gravadoras não viam como negócio lucrativo. Após o sucesso de sua primeira leva de discos, as gravadoras abrem espaço para a música caipira.

É portanto o desbravador da música sertaneja raiz. Embora tenha sido cantor e poeta (letrista), foi como produtor e "agitador" cultural que ele se destacou na música.

Tonico e Tinoco: "A Dupla Coração do Brasil" não ganhou esse epíteto à toa.

Trata-se do primeiro grande fenômeno musical sertanejo de massa do país. Esta dupla formada por 2 irmãos de origem pobre da região de São Miguel, foi pioneira em tudo: primeira dupla sertaneja a se apresentar na TV, primeira a gravar LP, a se apresentar no teatro Municipal de São Paulo e no Maracanazinho.

Suas mais de 1500 gravações, divididas em mais de 300 álbuns (78 rpm, LP, CD,...) contam a trajetória dos seus 50 anos de carreira.

Carreira que só seria desfeita pela morte em 1994 de Tonico, deixando Tinoco, ainda em atividade.

Entre tantas canções: "Chico Mineiro", "Moreninha Linda", "Pé de Ipê", "Minas Gerais",...

Inezita Barroso: Da classe média paulistana, na infância, foi vizinha de Mário de Andrade (de quem se tonaria amiga mais tarde), formada em Biblioteconomia na USP, representa a principal mulher no meio tão machista como a música sertaneja.

Apresentadora de programas na TV Cultura, ela assim como Rolando Boldrin, preserva o que a música caipira tem de melhor, travando um embate ideológico contra a mercantilização e os rumos musicias pelos quais caminham a moderna música sertaneja.

Muita gente boa ficou de fora, estes são apenas alguns dos principais nomes que construíram as bases da nossa música caipira. Numa próxima oportunidade, espero falar de gente como: Mário Zan (autor de Chalana), Cascatinha e Inhana (a delicada música sertaneja deste casal), Jararaca e Ratinho (Jararaca foi do bando de Lampião), Sulino e Marruero, Caçula e Mariano (Tio e Pai do Caçulinha, do Domingão do Faustão), entre tantos...

*Fonte: "Música Caipira" de José Hamilton Ribeiro e "Música Caipira - Da Roça ao Rodeio" de Rosa Nepomuceno.


Próximo Domingo: Somos mais caipiras que pensamos.