sábado, 18 de maio de 2013

Parabéns Guaíra/SP.

Além da minha cidade natal, Ipuã; Guaíra/SP talvez seja a única cidade em que eu me sinto, realmente, em casa.

E já tentei encontrar resposta para isso.

A primeira explicação são os laços afetivos de parentescos que me une à cidade desde a mais tenra idade.

Guaíra era a cidade onde moravam meus avós paternos, que visitávamos todos os domingos desde que me entendo por gente.

Outra explicação, que decorre da acima citada, é o grande número de parentes que tenho na cidade.

Parentes que eu visitava sempre nas férias ou em eventos eventuais (aniversário, casamento, velório,...) o que sempre me fez ter uma conexão com a cidade.

Eu visito a cidade desde que a estrada vicinal que a une a Ipuã era de terra, pra vocês terem uma noção de quanto tempo faz isso e ter uma vaga noção sobre a idade do Blogueiro (algo em torno de 20 e poucos anos).

Continuei prestigiando a cidade até na fase adulta, quando os atrativos da cidade para mim não eram mais parentes, mas os eventos sociais, 99% dos casos, eventos sociais noturnos, e por extensão, a beleza das gurias guairenses (que rivaliza, de maneira saudável e em igualdade de condições, com a beleza das gurias Ipuanenses).

Eu prestigiei durante anos (apesar de vez ou outra eu ter saído às pressas da cidade sob risco de agressão física) e continuo até os dias atuais.

Mas chamo de lar também porque dentre as dezenas de escolas de outras cidades pra onde enviei currículo, Guaíra/SP foi a única, além de Ipuã, que me abriu as portas para nela trabalhar.

Muito embora eu desconfie que o fato de que o dinheiro que lá eu ganho, acaba lá mesmo ficando na maioria das vezes, também seja um forte fator de contribuição.

Amo esta cidade. Não tanto quanto amo Ipuã, evidentemente, mas mais do que amo São Paulo, para ficar nas 3 cidades pela qual tenho tal sentimento.

Mas o que fica deste texto todo é dizer mesmo: PARABÉNS GUAÍRA/SP.

Com o giz na mão.

É comum nas escolas, em épocas de rodeio (exposição agropecuária ou festa anual similar) a adequação dos horários de aulas visando à comodidade e um maior quorum dos alunos.

Geralmente estas festas ocorrem de quinta a domingo e a sexta feira, último dia letivo da semana, fica "prejudicada" porque os alunos ficaram na farra a noite passada e obviamente não conseguem levantar na manhã seguinte.

Por essa razão, pelo menos nas escolas em que leciono, os horários dos dias "pós dia de festa" são alterados.

Os alunos entram mais tarde (geralmente às 08:00h) e naquele dia podem ter o mesmo número de aulas que um dia normal (com aulas menores que os 50min tradicionais) ou têm apenas as aulas que coincidirem com aquele horário (neste caso aulas normais de 50min).

Em Guaíra onde leciono às sextas feiras desde muito tempo, sempre sofri com o Rodeio nesta época do ano.

Dar aula na sexta sempre foi um triplo sacrifício:

1. Poucos alunos nas salas,
2. Alguns que prestigiaram a festa na noite anterior e, portanto, apenas de corpo presente na aula,
3. Eu próprio presente à duras penas, pois também estive na festa na noite anterior.

Este ano, que não aconteceu o tradicional rodeio da cidade nesta data, a alegria por não passar por tais sacrifícios neste dia de aula tão atípico contrastou com a tristeza de não ter a festa.

Na Expuã deste ano, cujas datas e shows já se sabem mas não divulgam, ao que parece não sofrerei o dissabor de ter um dia de aula modificado, pois leciono às segundas e quartas, fora dos dias da festa.

Se bem que dar aula na segunda feira após 5 dias de festa também não é tarefa fácil.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Será que acostumo?

Após 36 anos de bom uso, eis que eles começam a dar sinal de cansaço.

Ah Drummond, certamente eu também "nunca me esquecerei desse acontecimento na vida das minhas retinas tão fatigadas".

Paty Lucchesi, pouca coisa mais velha que o Blogueiro, deveria voltar em cena, desta vez não com o 1° sutiã, mas com 1° par de óculos, afinal deve estar precisando usar.

Seria um belo incentivo para acostumar com a nova face deste que vos escreve.

E escreve sem os óculos, pois "de perto" as vistas estão "tinindo", como diria o outro.

Mas de longe...

Bem que a simpática moça que me atendeu na ótica anteviu:

- As luzes vão se acender pra você.

E não é que, ao provar o par de óculos, de fato, acenderam?

Já vinha precisando fazia tempo, só não havia percebido ainda.

O problema agora é acostumar.

Pior, o problema vai ser aceitar!!!

Por mais que a gente saiba que uma hora chega, nunca imagina que será agora, sobretudo antes dos 40.

Pois é... "Eu não dei por esta mudança / tão simples, tão certa, tão fácil".

Oh Cecília, "Em que espelho ficou perdida a minha face?".

Abaixo eu, ou melhor, o "novo eu".

Ou melhor ainda, apenas um pedaço (justo o que interessa) do "novo eu".

PS: Se com um simples par de zóio já estou nesse drama todo, quero ver quando vierem os primeiros fios brancos!


De arrepiar a alma corinthiana.


Se eu não fosse Corinthiano, eu viraria ao final deste comentário do jornalista Joseval Peixoto.

Parabéns Joseval.

Parabéns e obrigado Fiel torcida!

"A mais fascinante demonstração de maturidade e grandeza. Ali estava uma nação vitoriosa e altiva totalmente despreocupada com a derrota que acabava de acontecer... como que dizendo: 'Pode levar o título, ele não nos faz falta. A vida continua e estamos cobertos de história'. São 102 anos de tradição, mais de um século de história".

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Aviso aos navegANTIS.

Prezados antis,

Finalmente, após 2 anos de pés frios, sua torcida anti corintianas funcionou.

Pena que não do jeito que vocês queriam, pois o time do Corinthians perdeu não para um time de futebol, mas para um árbitro, perdão, um soprador de apito.

Corinthians foi garfado na noite de ontem.

Enquanto existir futebol no mundo, todos se lembrarão que não 1, mas 2 gols foram mal anulados; e não 1, mas 2 pênaltis não foram marcados a favor do Timão no jogo desta oitavas de final contra o Boca Jrs.

A tristeza pela INJUSTA eliminação contrasta com a alegria de:

01. Ver que o Timão é capaz de se superar em momentos difíceis.

02. Assistir ao espetáculo da torcida que, ao contrário de outras por aí, não xingou o "time", nem vai pichar o muro co CT, mas apoiou o time até o final, valorizando o esforço que só foi barrado graças a um, repito, soprador de apito.

03. Saber que os antis assistem aos nossos jogos só para secar a gente, coisa que nós jamais fazemos, porque para nós só existe Corinthians.

Corinthiano é assim...

Não assiti ao Palmeiras na terça, nem aos Bambis na quarta, muito menos a humilhante derrota do lambari diante do Barça em 2011, por que eu, eu só assito ao Corinthians.

Neste domingo é dia de mais uma decisão, vamos com  tudo pra cima do Santos e que façamos deste título uma escalada rumo a tantos outros que virão este ano.

Afinal nós vivemos de Corinthians, não da derrota dos outros!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Haja coração.

Hoje o mundo da bola para.

Hoje, o coração do Blogueiro pode parar.

Corinthians x Boca Jrs, valendo vaga para as quartas de final da Taça Libertadores da América.

Parada dura para o atual campeão da competição (e também atual campeão mundial), não pelo adversário, mas por ter de, pela primeira vez na história deste elenco (2 anos juntos) necessitar reverter um placar adverso.

É a hora de separar homens de guris, como diria Tite, o treinador que insiste em não colocar o Pato entre os titulares.

Mostrar que tem garrafa pra vender e arrancar rumo ao inédito Bi Campeonato e disputar o Tri no Marrocos no final do ano, fato que já deve estar preocupando os técnicos de Bayern e Borússia.

E no domingo, outra decisão. O 2° tempo da final do paulista 2013.

Placar dos jogos? Blogueiro não arrisca.

Arrisco apenas em dizer que, se passar pra próxima fase da Libertadores, o título paulista fica mais distante. Se cair diante do Boca Jrs, o 27° Paulistinha estará no Parque São Jorge na tarde de domingo.

terça-feira, 14 de maio de 2013

13 de maio foi ontem, eu sei, mas...

Por puro lapso do Blogueiro, relaxo talvez, a data de ontem passou batido.

O texto que foi ao ar já estava programado para ser publicado antes que eu me tocasse que 13 de maio comemora-se a abolição da escravidão no Brasil.

Uma data a ser lembrada como um marco na história do país é verdade, mas longe de ser a redenção da opressão dos negros escravos no Brasil.

Quando a abolição ocorreu, algo em torno de apenas 5% dos trabalhadores do país eram escravos, a maioria dos trabalhadores era assalariada. Inclusive negros, favorecidos pelas Leis paliativas para postergar a abolição como a do Ventre Livre e do Sexagenário (que pouca coisa contribuíram para a situação do trabalho escravo, servindo como cortina de fumaça à pressão inglesa pela abolição).

E negros libertos, que trabalhavam como assalariados em empregos de menor importância.

A abolição veio tardiamente, um dos últimos países da América a promovê-la.

E quando veio, foi assinada pela Princesa Regente, Isabel, que na ausência do pai e antevendo a ruína do Império no país, deu seu canto de cisne.

Que nem tão belo foi, uma vez que a abolição apenas "soltou" os negros à própria sorte, não sendo acompanhada de legislação complementar regulamentando a situação dos recém libertos.

Dois artigos apenas: 

Art. 1.º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. 
Art. 2.º: Revogam-se as disposições em contrário.

E nada mais.

Muitos destes novos livres optaram por ficar nas próprias fazendas em que trabalhavam, desta vez na condição de assalariados, outros migraram para a cidade, em busca de trabalhos indesejados pelos brancos e vivendo em condições precárias de moradia.

Situação que perduraria por muito tempo, refletindo na condição social do negro nos tempos atuais, afinal como querer que em pouco mais de 120 anos toda uma nação (milhões de descendentes) ascenda socialmente neste país marcado por injustiças e pelo racismo velado que insistem em dizer que não existe?

Razão pela qual nos dias atuais, apesar da conquista gradual do negro na sociedade, infelizmente ainda seja o negro, maioria entre as camadas menos favorecidas no nosso país.

E é justamente por esta dívida histórica que temos com os afrodescendentes, que foram trazidos para nosso país contra a sua vontade, escravizado e tratado como animais por mais de 3 séculos, que sou a favor da política de ação afirmativa de cotas para negros não apenas em faculdades, mas em outros setores da sociedade.

Tal política é o mínimo que podemos fazer para saldar uma dívida que só fez acumular ao longo do século que se seguiu à abolição.

Se não mais como escravos, mas como marginalizados sociais pela nossa sociedade e pela política deste país.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O duro de ser hipocondríaco.

Devido ao enorme sucesso do texto "A difícil arte de ser metódico", republico o texto "Hipocondríaco", devidamente revisado, publicado neste Blog há 1 ano e meio.

***
O duro de ser hipocondríaco, é que nunca somos levados à sério.

Por mais que os sintomas sejam claros e manifestos, todos à nossa volta insistem em não acreditar.

Recordo que no começo do ano reclamei de dores e febre e que acreditava que fosse dengue.

Só quando eu estava com 39° e o corpo todo manchado é que ouvi:

- É... talvez seja dengue mesmo...

Claro que para o bom hipocondríaco qualquer sintoma é visto como a mais catastrófica das doenças. Uma dor de cabeça não pode ser uma simples enxaqueca, tem de ser um AVC.

Recordo que uma vez, encovando os dentes, ao tossir vi algum vestígio de sangue e logo diagnostiquei: Tuberculose.

Por mais que nos expliquem que é exagero, fica sempre o medo de, ao não dar importância a um sintoma, correr o risco de que dessa vez seja mesmo algo grave e você não desconfiou de tanto ouvir que é exagero, que nunca tem nada, que sempre encana com isso etc...

Mas não sou daqueles hipocondríacos maníacos por remédio, aliás nem gosto de remédio.

Minha preferência é pela prevenção. Meu lance é prevenir as coisas que acho que estou exposto:

- Não dou descarga em banheiro público a não ser que tenha toalha de papel para eu poder puxar a cordinha.

- Evito segurar nas barras de ferro do metrô para não contrair gripe suína. Mas como ficar se equilibrando no trem em movimento me trazia dois riscos à saúde maiores: cair naquele chão infecto ou cair sobre alguém que, ofendido, responderia com violência (mesmo que fosse apenas uma velhinha com sua sombrinha vingadora), optei por usar aquele gel antisséptico a cada viagem de metrô ou circular.

Entre tantas manias que se citar aqui, vão acabar descobrindo achando que sou maluco.

Seja como for, de tanto imaginar doenças e ser desacreditado, imagino um epitáfio perfeito para o meu leito derradeiro:

"Agora vocês acreditam que eu estava doente?"

domingo, 12 de maio de 2013

Nos palanques da vida.

Mãe de político só não sofre mais que mãe de árbitro de futebol.

Seja por ser frequentemente xingada, quando os políticos são pegos em atos ilícitos ou quando não fazem nada pelos cidadãos, seja pelo trabalho que o político dá a elas.

E é neste segundo caso que a minha se enquadra.

Nunca tive muito dinheiro pra fazer campanha, então sempre contei com minha família pra me ajudar.

Minha mãe gostava de acompanhar a "folia de reis" que nós candidatos fazíamos, indo de casa em casa da cidade pedir o voto dos eleitores.

Na minha primeira campanha, éramos em 22 candidatos, imagina só a fila que se formava na porta do eleitor que nos atendia.

Eu gostava de ficar entre os últimos para que pudesse dar tempo da minha mãe dar uma espiada em quem era a pessoa na casa e me trazer alguma informação.

Mesmo que fosse apenas o nome, já era o bastante para eu me diferenciar dos demais candidatos, pois ao pedir o voto já chamando a pessoa pelo nome era um belo diferencial.

Vez ou outra minha "informãente" trazia maior riqueza de dados, sobretudo quando eram pessoas que ela conhecia.

Por várias vezes ela própria me apresentou ao eleitor, quando tratav-se de algum conhecido que há tempos não via e que, separados pelo tempo, lembrava de mim apenas quando criança.

Não sei precisar quantos, mas tenho a certeza que muitos dos votos que recebi foram, certamente, angariados pela minha mãe.

sábado, 11 de maio de 2013

Com o giz na mão.

Era uma sala de cursinho, com 85 alunos.

A maioria querendo aprender, afinal haviam ralado para estar ali.

Tratava-se do Cursinho Gratuito da Unesp, onde comecei a dar aula no ano 2000.

Por ser um cursinho gratuito, com muito mais procura que vagas, havia uma seleção entre os interessados. A seleção constava de prova escrita, entrevista e análise socioeconômica.

Portanto entrar ali já era sinal de que o aluno estava interessado em estudar.

Mas como toda seleção é passível de falhas, havia aqueles que, seja por relaxo, seja por desmotivação, chegavam à certa altura do jogo entrando em campo apenas para cumprir tabela.

E numa aula, no auge da explicação sobre Fernando Pessoa, que conversas paralelas insistiam em me atrapalhar.

Após pedir encarecidamente por duas ou 3 vezes que parassem, interrompi a aula para o famoso sermão, mais ou menos assim:

"Vocês estão atrapalhando os demais alunos pessoal, se não querem estudar, vá lá pra fora. Para vocês lá fora deve ter coisa mais interessante. Lá fora tem bar, bebida, tem puta..." (já estressado com a situação).

Ao referir-me, de maneira sarcástica e apelativa, sobre a existência de putas fora da sala de aula como atrativo para os alunos, um aluno, valendo-se do anonimato gritou:

- Aqui dentro também!!!

Não dava pra identificar o autor da frase em meio a 85 alunos.

Assim como não deu pra segurar a fúria das garotas de recato da sala que, aos berros, diziam que, em sendo verdade a existência de meretrizes na sala, a genitora do interlocutor anônimo deveria fazer-se presente naquele instante.